Meditação budista: mais do que uma filosofia, uma forma de estar

Estatua de pedra de um budista

A meditação tem vindo a tornar-se uma prática comum e habitual em todos os pontos do planeta, ganhando novos adeptos a cada dia que passa. De entre todas as correntes espirituais e filosóficas, a meditação budista tem-se revelado a mais praticada e debatida, sendo uma das vertentes de uma das religiões mais conhecidas em todo o mundo: o Budismo.

Milhares de anos a meditar sobre o amor fraterno

Nas últimas décadas, o mundo começou a receber de braços abertos temas tão diversos e distintos quanto o esoterismo, a espiritualidade e a medicina alternativa. Impulsionados por diversas figuras públicas que assumiram publicamente as suas crenças espirituais, os órgãos de comunicação social começaram a dar cada vez mais destaque a estas temáticas, tornando-as acessíveis a todos – mesmo àquelas que continuam a apresentar um maior ceticismo em relação àquilo que “não conseguem ver e comprovar”. Uma dessas temáticas é o Budismo, mais especificamente a meditação budista.

Foi com Buda Shakyamuni que o Budismo nasceu, no Nepal (na altura denominado de Lumbini), perto do ano de 650 a.C. O objetivo desta filosofia era, já na altura, apenas um: libertar os seres vivos do sofrimento, praticando o amor fraterno.

Ao todo, Buda Shakyamuni deixou mais de 84 mil ensinamentos que ainda hoje continuam a ser considerados e praticados pelos mais convictos adeptos do Budismo. O intuito destas práticas? Encontrar o nirvana – ou seja, a paz duradoura e permanente, tão aspirada por todas as pessoas.

O desejo de viver de forma harmoniosa e apaziguada faz com que os praticantes da meditação budista encarem esta filosofia como muito mais do que uma série de conceitos e ensinamentos. Na verdade, os adeptos desta corrente defendem que a meditação budista é muito mais do que uma simples meditação, revelando-se uma verdadeira forma de estar… e de viver.

Os métodos da meditação budista

A meditação é descrita como um método que nos permite sintonizar a nossa mente com o Universo e, logo, com a paz, a tranquilidade e a virtude. Dizem os especialistas que a meditação permite-nos sossegar a mente, isolando as preocupações e os desconfortos mentais, aproximando-nos assim da paz e da verdadeira felicidade.

A meditação budista descreve cinco métodos básicos:

  • Meditação Smatha, com método Anapana: promove o isolamento das distrações, desenvolvendo a concentração.
  • Meditação Smatha, com método Metta Bhavana: tem como objetivo neutralizar o ódio e a inveja, promovendo o amor fraterno.
  • Meditação Vipassana, com método dos Seis Elementos: procura terminar com as diversas ilusões do dia-a-dia, possibilitando uma maior clareza sobre a real natureza do Ser Humano.
  • Meditação Vipassana, com método da Contemplação da Impermanência: visa anular o apego às coisas e às pessoas, desenvolvendo a sensação de liberdade e de paz interior.
  • E, finalmente, a Meditação Vipassana, com método da Contemplação da Condicionalidade: pretende terminar com a ignorância da vivência, promovendo a sabedoria acerca da essência da vida e da compaixão.

Princípios e técnicas da meditação budista

O Budismo defende que, para praticar meditação, qualquer local é adequado, desde que se consiga dedicar alguns minutos à prática e se garanta a paz e calma necessária ao exercício. Depois disso, a meditação budista envolve apenas alguns cuidados:

Postura

  • As pernas deverão ser colocadas na posição de lótus (cruzadas uma sobre a outra), ou na posição de “vajra” (cruzadas à frente uma da outra)
  • A coluna vertebral deve estar direita
  • Os ombros devem estar puxados para trás
  • As palmas das mãos deverão ser colocadas sobre os joelhos. Em alternativa, elas poderão estar voltadas para cima, com as extremidades do polegar e do dedo indicador em contacto
  • A língua deve repousar sem pressão contra o palato
  • Os olhos podem estar abertos ou fechados (ainda que se acredite que fechar os olhos durante a meditação promove uma maior entrega e relaxamento).

Respiração

A meditação budista tem como base a respiração, pelo que há diversos exercícios que a trabalham de forma bastante específica. No exercício agora descrito, procura-se expulsar as energias negativas e os bloqueios físicos e mentais que delas resultam. Para isso, devem adotar-se as posturas físicas anteriormente descritas. Conseguindo a concentração inicial, deve inspirar-se normalmente, levando a mão direita ao rosto, tapando a narina esquerda, e expirando em seguida pela narina direita, enquanto se esticam os dedos da mão esquerda ainda pousada sobre o joelho. Na expiração, deverá imaginar que se estão a expulsar todas as energias negativas, libertando-se todos os bloqueios existentes no corpo e na mente. O exercício deve depois ser repetido, trocando-se as mãos utilizadas.

Depois, devem fechar-se os punhos sobre os polegares, pousando-os sobre os joelhos e inspirando lentamente, para depois expirar com força pelas duas narinas. Em seguida, abrem-se as mãos e esticam-se todos os dedos, imaginando a expulsão de todos os conflitos negativos existentes no nosso corpo.

Para resultados mais tranquilizantes, recomenda-se que este exercício seja repetido três vezes, antes de se dar por finalizada a meditação.

Chão, uma almofada e vontade

Na verdade, basta isto para que se consiga praticar a meditação budista: um espaço no chão, uma almofada para se sentar confortavelmente e a (real) vontade de meditar.

No entanto, existem muitos praticantes de meditação budista que praticam sempre os seus exercícios nos chamados bancos de meditação. Dizem os entendidos que este permite que se encontrem posições mais confortáveis, para que se realizem meditações mais longas e eficazes.

Para tal, basta um banco de madeira resistente, com cerca de 40 centímetros de altura, e que tenha a sua base almofadada. Depois disso, é só encontrar as posições mais confortáveis para que a meditação inicie.

A meditação budista é praticada em todo o mundo, por pessoas das mais diversas etnias e crenças. Mais do que uma religião, é uma filosofia de vida. As desvantagens? Não existem. Por isso, experimentar pode ser apenas o primeiro passo para que os seus dias ganhem a tranquilidade e a paz que todos ambicionamos. É só dar o benefício da dúvida. E acreditar em dias mais felizes.

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