6 passos para evitar problemas de crédito numa recessão

Cortar no crédito

Com a palavra “crise” nas bocas do mundo, existe muito boa gente que se volta para os cartões de crédito simplesmente porque é a única bóia de salvação que encontram para chegar ao fim do mês. Infelizmente, ao fazerem isso, acabam por se afundar cada vez mais. Seja para comprar coisas supérfluas ou bens de primeira necessidade, recorre-se aos “milagrosos” cartões de crédito quando não há outra forma de fazer aquisições… mas essa factura pode trazer um preço bem mais elevado: dívidas acumuladas.
Não há pior cenário financeiro pessoal do que ver-se a afogar em dívidas, no meio de uma recessão com preços a disparar, empregos precários e um futuro incerto. Os cartões de crédito e tudo aquilo que implicam e que facilitam, podem rapidamente tornar-se num ciclo vicioso que é extremamente difícil de largar. Mas não impossível. Não há melhor forma de enfrentar uma recessão ou crise financeira do que livre de dívidas e até com um pequeno fundo de emergência. São apenas 6 os passos que o separam de uma situação económica mais saudável.

  1. Cortar nos gastos diários. Se está a tentar sair de um “buraco”, a primeira coisa que tem de fazer é parar de escavar, ou seja, reduzir os gastos diários e tomar a decisão consciente de que recorrerá ao cartão de crédito exclusivamente em caso de uma emergência. Para começar, há que eliminar gastos supérfluos e se não sabe muito bem para onde vai o dinheiro, tente registar cada compra feita durante uma semana ou duas – só assim terá uma real percepção. Algumas sugestões para cortar nos gastos diários incluem: jantar fora, saídas, cafés, lanches, novos gadgets, vestuário/calçado que não é essencial, coisas para casa que não são prioritárias, etc. Atenção: a ideia não é deixar de ter uma vida e nunca mais sair de casa para tomar um copo com os amigos, mas sim reduzir esse tipo de gastos e procurar outras formas de se divertir, sem gastar tanto.
  2. Criar um fundo de emergência. Com o dinheiro que vai poupar no Passo 1, comece logo a juntar para criar um fundo de emergência. Imaginemos, por exemplo, que já percebeu que se cortar meia dúzia de gastos diários pode poupar €100 | R$260 todos os meses. Agora, sempre que receber o ordenado, coloque esse montante numa conta poupança e, em 5 meses, já terá um fundo de emergência de €500 | R$1300. Isto é extremamente importante porque há situações que surgem quando menos esperamos – uma avaria na máquina de lavar roupa, um pneu do carro furado, uma doença – mas se tivermos prevenidos com a existência de uma pequena poupança, não precisamos de recorrer a cartões de crédito, nem de nos envidarmos.
  3. Faça da eliminação das dívidas uma prioridade. Depois de conseguido o fundo de emergência (pode ficar pelos €500 | R$1300 ou então tentar juntar um pouco mais – cada caso é um caso!) comece a canalizar esse dinheiro extra que tem vindo a pôr de parte para a liquidação das suas dívidas. Quando receber o ordenado, o primeiro valor que movimenta deve ser para amortizar uma dívida, nem que tenha de agendar uma transferência automática. Idealmente, deve tentar começar por eliminar a dívida com a taxa de juro mais elevada, mas se preferir começar por uma dívida mais pequena, força. O importante é que a eliminação das dívidas seja a grande prioridade.
  4. Altere o seu lifestyle. Enquanto no Passo 1 o objectivo é começar a poupar através da redução de pequenos gastos, existem alterações de longo prazo que podem ter um enorme efeito sobre a forma como gasta e poupa dinheiro. Por exemplo, pode trocar o seu carro por um mais pequeno/económico ou então em vez de ter dois, passe a ter apenas um; pode mudar-se para uma casa mais pequena, aproveitando para vender coisas que já não necessita ou que não cabem na casa nova. Outras alterações de hábitos que se vão fazer notar a longo prazo podem incluir: levar o almoço para o trabalho; redescobrir e rentabilizar o guarda-roupa; mentalizar-se que não precisa de um telemóvel ou computador novo porque o que tem está em perfeitas condições e por aí fora. São mudanças que implicam compromissos sérios e que vão levar algum tempo a implementar, mas que no fundo vão permitir-lhe evitar e/ou diminuir as dívidas e gozar a sua própria estabilidade financeira.
  5. Faça sacrifícios e compre com dinheiro vivo. O consumismo obriga-nos a recorrer aos cartões de crédito para que possamos ter agora algo que tecnicamente não temos dinheiro para comprar. Será que precisa desse casaco neste preciso instante? Não pode esperar? O ideal é poupar para poder adquirir algo especial e, na hora da aquisição, pagar com dinheiro vivo. Damos mais valor às coisas, ao acto de comprar e ao próprio dinheiro ao pagar com notas em vez de com cartões. Sim, isto implica fazer pequenos sacrifícios, mas será a bem da sua situação financeira. O desafio em si – poupar dinheiro vivo – é aliciante e será com grande satisfação que verá as notas a acumularem-se até ao dia em que poderá comprar aquilo que deseja, sem recorrer ao vício do crédito. Este é um dos hábitos mais importantes de quem quer poupar e/ou livrar-se de dívidas.
  6. Comprometa-se a manter-se longe dos créditos. Existem créditos que são inevitáveis e que podemos considerar aceitáveis – os de habitação, de automóvel ou de estudante – mas regra geral, devemos evitá-los e esse tem de ser o seu compromisso se quiser evitar problemas financeiros numa recessão ou em qualquer outra situação de aperto. Não estamos a banir os cartões de crédito da sua vida, mas sim a sugerir que tenha apenas um – para compras online, viagens e emergências apenas – e que o liquide imediatamente a seguir à sua utilização. A regra de ouro é não utilizar o cartão de crédito se não tiver dinheiro, caso contrário estará apenas a atrair mais problemas para a sua vida financeira. Se conseguir assegurar este compromisso estará economicamente saudável, quer tenha de enfrentar uma recessão ou não.
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